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Assumir Responsabilidades na Segurança: Caminho para a Melhoria do Desempenho
Ricardo Hojda - Stance Gestão e Treinamento

Artigo editado na revista Comportamento Seguro de Portugal - edição de agosto/12

O Clima da Segurança é o termo usado para descrever a percepção comum dos colaboradores em como a gestão da segurança está sendo operacionalizada no ambiente de trabalho e em um momento específico. Segundo Zohar in Exploratory analysis of the safety climate and safety behavior relationship3, o Clima da Segurança fornece um indicador da prioridade da segurança. O Clima da Segurança é um sub-componente da Cultura da Segurança e é obtido através de pesquisas com questionários e entrevistas.

Através de pesquisas de Clima da Segurança, podemos avaliar o impacto de diversos fatores na Cultura da Segurança das Organizações. Iremos analisar a partir de agora alguns destes fatores:

1. Papel das lideranças no processo de formação e manutenção da Cultura de Segurança e o seu impacto positivo no colaborador;
2. O SESMT e a NR-4 e o processo de desenvolvimento e implementação da Cultura de Segurança.

Para conhecer mais a metodologia da STANCE de avaliação do clima da segurança, clique aqui

Papel das lideranças no processo de formação e manutenção da Cultura de Segurança e o Impacto Positivo no Colaborador

Segundo Simard em Cultura y Gestion de la Seguridad2, existe uma clara relação entre a evolução da Cultura da Segurança e o desempenho de segurança das Organizações. Segundo ele, foram realizados numerosos estudos comparativos de empresas que gozam de baixas taxas de acidentes e outras com frequência de acidentes superior a média. Uma das conclusões dos estudos foi que o compromisso pessoal da alta direção e das lideranças com segurança traz a redução de acidentes. Segundo Smith y Cols in Cultura y Gestion de la Seguridad2 , o envolvimento ativo da direção contribui para motivar, tanto os diversos níveis da liderança como os trabalhadores, ao mostrar a preocupação da direção com seu bem estar. Simard afirma que “os resultados de numerosos estudos realizados mostram que um dos meios mais eficazes de difundir os valores humanos e a filosofia da Direção consiste em participar de atividades mais visíveis, como as inspeções de segurança e comitês com a participação dos trabalhadores”.
Chew, Mattila, Hyttinen y Rantanen in Cultura y Gestion de la Seguridad2 afirmam: “a intervenção dos supervisores em um sistema participativo da segurança estão associados aos índices de sinistros mais baixos”. O comportamento dos supervisores se concretiza através de comunicações e troca de informações frequentes e informais com os colaboradores em temas de segurança do trabalho, prestando atenção a atuação dos trabalhadores neste campo e oferecendo retroalimentação positiva, além de promover a participação do colaborador na prevenção de acidentes. Entendemos que o líder ativo e participativo em segurança também é eficiente no acompanhamento da produtividade e qualidade da equipe.
Para Saari4 , a Cultura da Segurança está associada a sensações positivas da segurança: “O espectro de possíveis consequências positivas é amplo e oscila desde a aprovação social até uma diversidade de privilégios e distinções”.

Seguem alguns resultados de avaliações do Clima da Segurança em empresas que possuem o engajamento das lideranças no processo de implementação da Cultura da Segurança:
• Líder sente-se responsável pela integridade da sua equipe;
• Valorização e reconhecimento público das equipes e dos colaboradores que trabalham com segurança;
• Objetivos e metas das lideranças incluem a melhoria do desempenho em segurança;
• Liderança fornece feedback aos colaboradores sobre a segurança de atividades realizadas;
• Liderança tem sua percepção de perigos desenvolvida e dá exemplos em prol da segurança, bloqueando atividades que estão sendo realizadas com desvios ou com riscos elevados;
• Liderança conversa sistematicamente com seus colaboradores sobre segurança;
• Liderança está aberta a receber sugestões de melhoria de processo;
• Liderança gerencia as ações de melhoria de segurança, garantindo a sua implementação e comunicando o andamento das ações aos colaboradores;
• Liderança confia e valoriza as opiniões sobre segurança dos colaboradores;
• Liderança reconhece colaboradores mais resistentes com segurança e realiza trabalhos individualizados visando o desenvolvimento da sua Cultura da Segurança.

A Cultura da Segurança fomenta entre os colaboradores:
• Existência de relação interpessoal forte nas equipes;
• Conceito de proteção mútua é bastante difundido e aceito;
• O assunto segurança é considerado um tema “normal” entre as pessoas da equipe. Há trocas de informações sobre riscos elevados em processos, melhorias de processo, ações de controle para redução de riscos, cuidados no uso de equipamentos, etc.
• Análise periódica dos processos visando identificação de riscos elevados e seu controle;
• Avaliação da sua condição (psicológica, física) antes da realização dos serviços.


O SESMT e a NR-4 e o processo de desenvolvimento e implementação da Cultura de Segurança.

Embora a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) de 1943 , em seu art. 164, já prescrevesse a existência nas empresas de Serviços Especializados em Segurança e Higiene do Trabalho, os mesmos só se constituiram através da Portaria 3237, de 27/6/72, do Ministério do Trabalho, sendo então denominados de "Serviços Especializados em Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho". Sua criação veio a se constituir no divisor de águas entre uma época de imprecisão no que se refere a política nos assuntos de segurança e saúde do trabalhador e outra, na qual o Estado assumiu, de forma ordenada e permanente esse controle.

A NR-4 - Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho5 estabelece a necessidade da contratação de profissionais da segurança que tem a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho.   Segundo Saari 4,  a regulamentação estabelece mecanismos que permitem aos responsáveis pela segurança prever as consequências diretas pelo não cumprimento da norma legal. Para ele, “A aplicação da legislação se fundamenta nas consequências negativas dos comportamentos de risco, desde o fornecimento de multas pelo órgão competente até a responsabilização civil e penal das lideranças e dos profissionais da área de segurança”.

Com o passar do tempo, as Organizações brasileiras acabaram por distorcer a NR-4. A obrigação de contratação de profissionais especializados em segurança trouxe como consequência a responsabilização do SESMT pela segurança do trabalho da empresa. Os profissionais da segurança do trabalho passaram a ser considerados fiscais da fábrica e a imagem da segurança do trabalho ficou ligada à figura da penalização. O SESMT assumiu as responsabilidades das lideranças que de forma acomodada deixaram de se envolver com os temas associados a segurança do trabalho.

Papel e as responsabilidades dos profissionais da segurança na implementação da Cultura da Segurança

Os profissionais da Segurança devem atuar de forma a suportar o desenvolvimento da Cultura da Segurança. O papel de fiscal da fábrica deve ser eliminado. Na Cultura da Segurança, os profissionais da segurança devem ser vistos pela Organização como parceiros e devem fornecer suporte ao processo de melhoria e de capacitação dos colaboradores em segurança. Cabe aos profissionais da segurança tornas as lideranças e os formadores de opinião da empresa competentes em segurança, seja nos aspectos técnicos e de gestão.

A implementação da Cultura da Segurança passa pelo processo de transferência de responsabilidades operacionais: dos profissionais da segurança do trabalho para as lideranças. Para tanto, sugerimos que as lideranças tratem o tema segurança como sua atribuição através da realização de tarefas:

• Processo de Comunicação Interna: realização de reuniões focadas em seguranças e nos riscos do processo;
• Participação nos Comitês Operacionais: apresentação dos resultados de segurança obtidos no seu processo, como por exemplo indicadores;
• Auditorias Comportamentais: desenvolvimento de auditorias de segurança visando desenvolver a percepção de perigos das lideranças e evidenciar a importância do tema aos colaboradores (saiba mais);
• Análise de riscos dos processos: identificação de atividades com risco elevado e implementação de melhorias de processo.

Somente assim a segurança será tratada nas organizações como valor e será priorizada pelas lideranças empresariais.

Conheça mais o projeto de Comportamento Seguro da STANCE solicitando uma visita através do falecom@stancebrasil.com.br .

 

 



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